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Fim dos imunossupressores

Novo método elimina necessidade de imunossupressores para evitar rejeição de transplantes

Testada em primatas, técnica poderia resolver sérios problemas enfrentado por pacientes transplantados

Há décadas, imunologistas vêm tentando treinar o sistema imunológico de pacientes a aceitar células e órgãos transplantados, sem ter que recorrer a medicamentos anti-rejeição de longo prazo. Agora, uma nova pesquisa da Universidade de Minnesota mostra que isso é possível.

No estudo, publicado na revista Nature Communications, um grupo de pesquisadores do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina e do Instituto Schulze de Diabetes, colaborando com colegas da Universidade Northwestern, conseguiram manter a sobrevivência e o funcionamento de ilhotas pancreáticas transplantadas a longo prazo, mesmo com a descontinuação completa de todos os medicamentos anti-rejeição no 21º dia após o transplante.

Para muitos pacientes em estado avançado de falência de órgãos, o transplante é a única opção de tratamento efetiva restante. Para prevenir a rejeição ao transplante, os pacientes devem tomar medicamentos de longo prazo que suprimem o sistema imune do corpo. Esses imunossupressores são efetivos na prevenção da rejeição a curto prazo; no entanto, como as drogas anti-rejeição suprimem todo o sistema imune sem distinção, os usuários sofrem o risco de adquirir infecções severas ou até mesmo câncer. Além disso, outros efeitos colaterais, como hipertensão, toxicidade renal, diarréia e diabetes diminuem os benefícios do transplante. Por fim, os fármacos imunossupressores são muito menos eficazes na prevenção da rejeição de transplante no longo prazo, levando à perda do enxerto em muitos casos.

Como uma população crescente de pacientes transplantados enfrenta esse impasse, que pode afetar as chances de sobrevivência, gerações de imunologistas vem tentando atingir a tolerância imunológica como objetivo central no campo de medicina de transplantes. Induzir a tolerância eliminaria a necessidade do tratamento cronico com imunossupressores e aumentaria a chance de sobrevivência do paciente. A prova de que a tolerância imunológica dos transplantes pode ser alcançada foi demonstrada pela primeira vez em camundongos por Peter Medawar, em um artigo ganhador do Prémio Nobel publicado na revista Nature, há mais de 65 anos. No entanto, apesar do imenso significado dessa descoberta, a tolerância ao transplante foi alcançada em poucos pacientes.

Este novo estudo se aproveita de atributos típicos dos glóbulos brancos modificados de doadores, que foram infundidos em receptores de transplante uma semana antes e um dia após o transplante, recapitulando a fórmula da natureza para manter a tolerância do corpo com seus próprios tecidos e órgãos. Sem a necessidade de medicamentos anti-rejeição de longo prazo, os transplantes de células das ilhotas pancreáticas poderiam se tornar uma opção de tratamento, e possivelmente uma cura, para muitas pessoas sobrecarregadas pela diabetes tipo 1.

“Nosso estudo é o primeiro a induzir, de forma confiável e segura, tolerância imunológica duradoura a transplantes em primatas não humanos”, conta Bernhard Hering, professor sénior e vice-presidente de Medicina Translacional do Departamento de Cirurgia da Universidade de Minnesota.”A consistência com a qual fomos capazes de induzir e manter a tolerância a transplantes em primatas não humanos nos dá muita esperança de que nossas descobertas possam ser confirmadas para benefício de muitos pacientes de transplante renal — o que inauguraria uma era inteiramente nova na medicina de transplantes”

Universidade de Minnesota

Novo método elimina necessidade de imunossupressores para evitar rejeição de transplantes

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Publicado por em 3 de Agosto de 2019 em Unidade 3., Unidade 4

 

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aterosclerose

A perda de um único gene tornou humanidade suscetível a ataques cardíacos

Descoberta explica o porquê de outros mamíferos próximos quase não sofrerem do mal, e ajuda a entender os riscos da carne vermelha

A perda de um único gene do DNA de nossos ancestrais, há dois ou três milhões de anos, pode ter aumentado o risco de doenças cardiovasculares em toda a espécie humana, ao mesmo tempo que levou a um maior risco para humanos que comem carne vermelha. É o que sugere um estudo realizado por Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), cujos resultados foram publicados em 22 de julho de 2019, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A aterosclerose — o entupimento de artérias com depósitos de gordura — é a causa de um terço das mortes em todo o mundo decorrentes de doenças cardiovasculares. Existem muitos fatores de risco conhecidos, incluindo colesterol sanguíneo, sedentarismo, idade, hipertensão, obesidade e tabagismo, mas em aproximadamente 15% dos casos de doença cardiovascular (CVD) devido à aterosclerose, nenhum desses fatores se aplica.

Há uma década, Nissi Varki, professora de patologia na Faculdade de Medicina da UCSD, juntamente com o coautor Ajit Varki, professor de medicina celular e molecular, observaram que a ocorrência de ataques cardíacos coronários devido a aterosclerose é virtualmente inexistente em outros mamíferos. Isso inclui chimpanzés, nossos parentes próximos, e até mesmo aqueles mantidos em cativeiro e com fatores de risco semelhantes aos humanos, tais como lipídeos sanguíneos elevados, hipertensão e sedentarismo. Em vez disso, os “ataques cardíacos” dos chimpanzés foram causados por cicatrizes ainda não explicadas no músculo cardíaco.

No novo estudo, os Varkis, em parceria com o professor assistente de medicina Philip Gordtsm e outros colaboradores, relatam que camundongos que, assim como seres humanos, sofreram modificações para carecerem de uma molécula de açúcar do tipo ácido siálico, chamada Neu5Gc, demostraram um aumento significativo na aterogênese em comparação com camundongos de controle, que retiveram o gene CMAH responsável por produzir o Neu5Gc.

Os pesquisadores acreditam que uma mutação que inativou o gene CMAH ocorreu há alguns milhões de anos em ancestrais hominídeos, um evento possivelmente ligado a ação de um parasita da malária que reconheceu o Neu5Gc.

Em seu estudo, a equipe de pesquisa disse que, nos camundongos, a eliminação do equivalente em humanos ao CMAH e, por consequência, do Neu5Gc causou um aumento de quase duas vezes na gravidade da aterosclerose em comparação com camundongos não modificados.

“O aumento do risco parece ser impulsionado por múltiplos fatores, incluindo células brancas hiperativas e uma tendência à diabetes em ratos semelhante a que vemos em humanos”, disse Ajit Varki. “Isso pode ajudar a explicar por que mesmo os seres humanos vegetarianos, sem quaisquer outros fatores óbvios de risco cardiovascular, ainda são muito propensos a ataques cardíacos e derrames, enquanto outros parentes evolucionários não são.”

Mas, ao consumir carne vermelha, os seres humanos também são repetidamente expostos ao Neu5Gc, que, segundo pesquisadores provocam uma resposta imune e inflamação crônica que eles chamam de “xenosialitis”. Em seus testes, ratos modificados com falta do gene CMAH (assim como humanos) foram alimentados com uma dieta rica em Neu5Gc  e em gordura, e posteriormente sofreram um aumento de 2,4 vezes na aterosclerose, o que não poderia ser explicado por alterações nas gorduras ou açúcares sanguíneos.

“A perda evolutiva humana de CMAH provavelmente contribui para uma predisposição à aterosclerose por fatores intrínsecos e extrínsecos (de dieta)”, escreveram os autores, “e estudos futuros poderiam considerar o uso desse modelo mais humano.”

Em trabalhos anteriores, os Varkis e seus colegas já haviam demonstrado que dietas com Neu5Gc promovem inflamação e avanço de câncer em ratos deficientes de Neu5Gc, sugerindo que a molécula não-humana do açúcar, que é abundante na carne vermelha, pode explicar, pelo menos em partes, a ligação entre o alto consumo de carne vermelha e certos tipos de câncer.

Curiosamente, a perda evolutiva do gene CMAH parece ter produzido outras mudanças significativas na fisiologia humana, incluindo a redução da fertilidade humana e maior capacidade de percorrer longas distâncias.

Universidade da Califórnia em San Diego

 

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